Memórias do Subúrbio: O Lobato na Década de 70
Lobato, década de 70. A Avenida Suburbana já existia, inaugurada apenas um ano antes do tricampeonato da Seleção Canarinho. Mas ainda faltava muita coisa nos bairros do Subúrbio Ferroviário. Nesta foto, colorizada com auxílio de IA, percebemos a ausência de asfalto e a quase inexistente iluminação pública.
A linha férrea ainda era a principal ligação do Subúrbio com a “cidade” — como muita gente ainda chama o Centro de Salvador. A Avenida Afrânio Peixoto, inaugurada em meados de 1969, era para os antigos a eterna “rodagem”.
Para muitos, o saco plástico era o companheiro fiel até o ponto de ônibus ou a estação de trem. Para não estragar os sapatos e, por conseguinte, o visual, era preciso calçar os sacos e caminhar com cuidado para chegar ao destino sem resquícios de lama.
A iluminação de vapor de sódio amarelada deixava os terrenos baldios na penumbra. Naquela época, o medo não era a violência, mas os animais peçonhentos. Ao entardecer, o canto da cigarra anunciava o recolhimento das famílias. As crianças ainda teimavam com suas travessuras debaixo dos poucos postes iluminados e, de uma hora para outra, começava o corre-corre para caçar um rato ou um sariguê.
Olhando bem para esta foto, percebemos o quanto o Subúrbio cresceu em população em apenas 50 anos. O que antes eram plantações e arvoredos, tornaram-se habitações — uma nuance que se estendeu por todo o Subúrbio Ferroviário. Quem possui um registro como este se delicia com as recordações de um tempo áureo e puro da nossa região. A maré, logo ali ao lado, era sinônimo de diversão e comida na mesa; em toda a Enseada dos Tainheiros, viam-se centenas de pessoas mariscando. São as memórias vivas do nosso povo.

