Com a faca e o queijo e de graça
O garoto suburbano que nasceu nas décadas de 70, 80 e 90 não teve o privilégio de jogar em grama sintética no seu próprio bairro. Ou era o “barrão”, ou o velho e bom asfalto. Golzinho ou golzão, como diria a molecada da época. No Lobato, por exemplo, bairro onde nasci, havia somente um campinho enladeirado para os pequenos — com três na linha —, o dos “caras grandes”, como chamávamos os mais velhos, e o baba do asfalto na pracinha.
Com toda a dificuldade, o Subúrbio Ferroviário revelou craques de Seleção Brasileira, tais como Lenílson (ex-São Paulo), revelado na década de 90, e Oséas, que despontou no Galícia com passagens marcantes por Athletico Paranaense e Palmeiras. Dezenas de craques dessa região figuraram nos grandes clubes baianos.
Mas a pergunta que não quer calar — usando essa expressão bastante clichê para questionar a ausência de novas revelações, mesmo com tamanha infraestrutura atual — o poder público está investindo pesado na construção de campos de grama sintética na capital baiana, são mais de 80 campos sintéticos construídos, mas por que nossos clubes continuam carentes de bons jogadores da base e investindo cada vez mais em atletas estrangeiros? Fica a reflexão!

