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Feira do Rolo: Onde a sobrevivência e o garimpo se encontram no Subúrbio

A famosa Feira do Pau (ou Feira do Rolo) só cresceu após a pandemia. Há quem a abomine, critique ou evite passar por lá até de carro. No entanto, este jornalista que vos fala criou o hábito de visitá-la todos os domingos, costume que mantém desde antes da crise sanitária.

Não se trata de ser um defensor ferrenho desse tipo de comércio, mas é preciso reconhecer que, social e culturalmente, a feira é um mal necessário. Muitas famílias tiram dali o seu sustento, revendendo desde vestuário a gêneros alimentícios. Encontram-se ferramentas para todos os gostos, engrenagens elétricas e mecânicas, peças para bicicletas e até uma “magrela” inteira para chamar de sua.

O Desafio dos R$ 50

Para escrever esta matéria, reservei R$ 50 e fui “mariscar”. O resultado foi surpreendente:

  • Cacau: Comprei três frutos bem maduros para apresentar essa iguaria aos meus filhos e sobrinhos. Gastei R$ 12.
  • Laranjas: Encontrei um saco grande — acredito que com pelo menos 80 unidades. O vendedor pediu R$ 30, mas, com aquele velho e bom “choro”, fechei por R$ 25.
  • A cereja do bolo: Tenho um relógio Technos, herança do meu pai, que estava guardado por falta de pulseira. Em lojas especializadas, a peça não custaria menos de R$ 100. De repente, bati o olho no chão, sobre um papelão molhado pela chuva, e lá estava: um relógio do mesmo modelo, com o vidro (mica) estraçalhado. Se fosse um cérebro, diria que houve perda de massa encefálica.

A pulseira, porém, estava intacta. Como não sou bobo, não perguntei o preço da pulseira — o vendedor sacaria o valor emocional. A pergunta foi pontual: “Quanto é esse relógio quebrado?”. Ele pediu o único valor que lhe pareceu justo: R$ 10. Nem pechinchei. Comprei, troquei a peça e adorei a aventura. Domingo que vem, estarei lá novamente.

É preciso ter cautela

Sabemos que existe um lado mais “cinzento” nessa feira. Contudo, este site e nossa página no Instagram não nasceram para focar em nossas mazelas, mas para destacar os pontos altos e as boas notícias do nosso Subúrbio.

Riscos existem, claro, como em qualquer comércio desde o escambo na Mesopotâmia. Mas, antes de recorrer ao OLX ou ao Enjoei, eu sempre dou aquela passadinha marota na Baixa do Fiscal. Para quem sabe garimpar, é melhor que bazar de igreja!