Vítima da vez: Jacuipense
Vergonha alheia. Vou contar uma historinha: nos anos 90, eu torcia pelo Corinthians. Tinha camisa, comemorava gol como Marcelinho Carioca e, enfim, como qualquer torcedor, entrei na onda do Timão. Eis que surge a semifinal do Campeonato Paulista de 1998. Fim do segundo tempo: o zagueiro César, da Portuguesa, domina a bola no peito aos 44 minutos; Javier Castrilli, o árbitro argentino, marca o segundo pênalti contra a Lusa.
A cena de César chorando na descida do túnel para os vestiários caiu como uma bomba na comemoração. Daquele dia em diante, aposentei a camisa de qualquer outro clube grande. Me vi ali: nordestino, torcedor de clube pequeno. Até hoje me emociono com a matéria do saudoso Léo Batista, encontrada facilmente no YouTube para quem não se lembra.
Ontem, a Jacuipense foi “garfada”, como diriam os antigos cronistas brasileiros. Já não bastasse o abismo de distância entre as equipes — estrutura social, administrativa e salários — que separa a realidade da equipe baiana da equipe da senhora Leila e do pomposo técnico Abel Ferreira. O senhor Marcelo de Lima Henrique enterrou, literalmente, os sonhos da “Jacupa”.
A história dirá mais sobre essas equipes do que os próprios títulos. O jogador Talisca, da equipe baiana, fez sinal de roubo ao ser expulso. Será punido com rigor, mas e quanto aos árbitros? Seguidamente, os telejornais e páginas esportivas passam mais tempo descrevendo erros do que falando sobre o futebol apresentado pelas equipes. Até quando?

