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Cachaça: A cadela caramelo que tinha até conta em botequim

Senta que lá vem história: Cachaça foi uma cadela caramelo que viveu no bairro do Lobato entre os anos de 2008 e 2017. Ela apareceu na rua e foi ficando, ficando… até que se estabeleceu de vez.

Avessa a fogos de artifício, a cadela acabou se “viciando” em petiscos de elite: comia filé de frango, presunto, passarinha e calabresa. A dinâmica era digna de uma cliente VIP: o dono do armazém, no ponto de ônibus, despachava o tira-gosto e o dono da antiga Farmácia Santa Bárbara pagava a conta no fim do mês. Ele assumia as despesas com prazer, pois Cachaça era sua fiel companhia diária. Pontualmente às cinco horas da tarde, ela já estava lá, na porta do estabelecimento, esperando para buscar seu tutor.

A trajetória de Cachaça também teve momentos difíceis. Após ser atropelada, precisou passar por uma cirurgia de curetagem e, como era de se esperar, a vizinhança se uniu em uma rede de solidariedade para custear todo o tratamento.

Figurinha carimbada em qualquer evento, ela não perdia uma festa — fosse a Trezena de Santo Antônio ou qualquer outra celebração religiosa. Todos na Rua Monteiro Lobato a conheciam. Ninguém sabe ao certo quem escolheu o nome “Cachaça”, mas o apelido pegou e batizou a ilustre moradora.

A única época do ano em que a caramelo queridinha do Lobato desaparecia era o São João. Bastava o primeiro estalo de fogos para a farra acabar: ela se entocava e sumia por dias, como se fosse mágica. No fim da vida, ela partiu de forma discreta, cuidada apenas por seu tutor nos últimos dias.

Mas as lembranças ficaram eternizadas. Todo mundo no Lobato tem uma história com ela. Basta uma conversa na porta de casa para surgir a pergunta que traz sorrisos: “Você se lembra da Cachaça?”