Precisa Melhorar

CUIDADO COM NOSSAS CRIANÇAS: OS NÚMEROS ACENDEM UM ALERTA TAMBÉM NO SUBÚRBIO

Pautado por uma matéria do Jornal Correio, assinada pela colega Perla Ribeiro, fui buscar nos registros do DataSUS um retrato dos acidentes envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. E os números nacionais de 2025 são daqueles que obrigam qualquer pai, mãe, avó, avô ou responsável a prestar atenção.

Como referência, em 2025, no Brasil, foram registradas cerca de 128,5 mil internações por acidentes entre crianças e adolescentes de até 14 anos. As quedas aparecem na liderança, com mais de 55 mil casos (43,4%), seguidas pelas queimaduras, com mais de 25 mil (19,6%). Também foram contabilizados aproximadamente 12,6 mil acidentes de trânsito, 4,2 mil intoxicações, 644 sufocações e 261 afogamentos. O levantamento do Projeto Criança Segura utiliza registros do DataSUS.

Mas quando trazemos essa discussão para o nosso cotidiano, os números deixam de ser apenas estatística. Eles ganham endereço, rosto e nome.

No Subúrbio Ferroviário de Salvador, nossa atenção precisa ser ainda maior. Vivemos em um território marcado por obras e intervenções urbanas, circulação intensa de veículos, ruas onde crianças ainda brincam, encostas, escadarias e uma extensa faixa litorânea. Soma-se a isso a realidade da violência, que também invade espaços onde a infância deveria encontrar apenas proteção.

Temos ainda uma grande avenida atravessando boa parte do nosso território. Crianças vão à escola, atravessam ruas, brincam na porta de casa, correm atrás de uma bola e fazem aquilo que toda criança deveria poder fazer: ser criança.

É justamente aí que mora a nossa responsabilidade.

Um portão aberto por alguns segundos, uma panela ao alcance das mãos, um medicamento esquecido sobre a mesa, uma tomada desprotegida, uma travessia feita sem um adulto, uma brincadeira perto de uma obra ou do trânsito. Muitas tragédias começam em situações aparentemente pequenas e acontecem rápido demais para permitir arrependimento.

Criança não mede o perigo com os olhos de um adulto.

Ela vê uma rua e enxerga espaço para correr. Vê água e quer brincar. Vê um objeto e sente curiosidade. Vê uma bola atravessar a pista e pensa primeiro em recuperá-la. Somos nós, adultos, que precisamos enxergar o risco antes dela.

Por isso, esta não é uma matéria para espalhar medo. É um chamado à prevenção, responsabilidade e cuidado coletivo.

No Subúrbio, ainda existe algo extremamente poderoso: vizinho que conhece vizinho, gente sentada na porta, avó que olha os meninos da rua, comerciante que conhece as famílias e comunidade que sabe cuidar dos seus. Precisamos fortalecer essa rede.

Porque por trás de cada número do DataSUS existe uma criança que sentiu dor, uma família que passou pelo susto de uma emergência e, em alguns casos, uma cadeira que pode ter ficado vazia dentro de casa.

Nenhuma estatística consegue medir essa ausência.

Cuidemos dos nossos meninos e meninas. Dentro de casa, na escola, na praia, nas ruas, no trânsito e nas comunidades.

A infância passa depressa. Nossa responsabilidade é fazer com que ela passe deixando lembranças — e não cicatrizes.

Sotero Suburbano — o subúrbio que dá certo.