CADÊ O SENTIMENTO DE GRUPO? A ATITUDE DOS JOGADORES DO BAHIA QUE CAUSA INDIGNAÇÃO
Enquanto Rodrigo Nestor era alvo de ofensas e ameaças de Neymar Jr., companheiros de equipe publicavam declarações de admiração pelo atacante santista. Afinal, onde fica o espírito de grupo?
Otávio Mangabeira já dizia: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente.” Neste caso, o absurdo parece ter encontrado endereço certo: o Bahia, o clube!
Enquanto Rodrigo Nestor era hostilizado, ofendido e menosprezado por atuar em um clube do Nordeste, companheiros do próprio jogador publicavam, nas redes sociais, verdadeiras declarações de admiração por Neymar Júnior, justamente o protagonista da confusão envolvendo o atleta tricolor.
Durante o episódio, Neymar protagonizou um confronto acalorado, com atitudes agressivas em direção ao treinador e ao jogador do Bahia. A situação ganhou repercussão nacional, especialmente pelas palavras atribuídas ao atacante santista:
“Dei a oportunidade de um idiota aparecer. Mas vou pegar o Nestor.”
Minha gente, estaria este humilde jornalista perdendo a sanidade ou estamos diante de uma tremenda falta de companheirismo?
E o que mais causa indignação é o momento escolhido para as manifestações.
Não foi antes da partida. Não foi dias depois, quando os ânimos já estariam mais tranquilos. Foi na mesma noite!
Enquanto a repercussão das ofensas ainda estava quente, Erick Pulga e Marcos Victor utilizaram suas redes sociais para manifestar admiração por Neymar, destacando a realização do sonho de enfrentar o jogador santista. E, no caso de Pulga ostentando a camisa ganha dada pelo atleta ao jogador do Bahia.
E não parou por aí!
O próprio treinador envolvido na confusão também fez elogios a Neymar Júnior.
Mas, afinal, cadê o sentimento de grupo? Cadê a solidariedade ao companheiro que acabara de ser ameaçado? Cadê o respeito à camisa que todos vestem?
Ninguém está questionando a história de Neymar, seu talento ou o direito de qualquer jogador admirá-lo. O futebol brasileiro conhece sua trajetória, suas conquistas e sua importância.
A questão não é admirar Neymar. É escolher o momento de demonstrar essa admiração quando um companheiro de trabalho acaba de passar por uma situação tão constrangedora.
Existe uma diferença enorme entre reconhecer o talento de um adversário e parecer indiferente ao que aconteceu com alguém que divide o mesmo vestiário.
O Bahia é uma instituição centenária, de torcida apaixonada, que carrega a identidade e o orgulho de milhões de nordestinos. Sua camisa representa muito mais do que contratos milionários, fama ou fotografias com ídolos.
Representa pertencimento, respeito e coletividade.
E é justamente por isso que a situação incomoda.
O episódio ganhou repercussão nacional, um atleta tricolor foi alvo de palavras ofensivas e, naquela mesma noite, o que se viu nas redes sociais de alguns companheiros foram manifestações de encantamento pelo adversário.
Será que o sonho de jogar contra Neymar vale mais do que a solidariedade a quem está ao seu lado todos os dias?
Não cabe exigir que jogadores sejam inimigos de seus adversários. Mas esperar companheirismo, sensibilidade e respeito dentro de um grupo profissional não deveria ser pedir demais.
No futebol, ninguém vence sozinho. E um elenco que pretende conquistar títulos precisa demonstrar união não apenas nas comemorações, mas principalmente nos momentos difíceis.
Triste episódio do futebol brasileiro. Mais triste ainda é a impressão de falta de união deixada pelo grupo do Bahia.
Porque talento ganha partidas, dinheiro paga contratos, mas respeito e companheirismo não deveriam ter preço.
Por Afonso Neto — Soterosuburbano
O Subúrbio que dá certo!

