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CHUVAS FORTES NO SUBÚRBIO: MEMÓRIAS QUE O TEMPO NÃO APAGA

Quem tem mais de 40 anos e mora no Subúrbio Ferroviário de Salvador carrega na memória histórias trágicas quando o assunto são as chuvas fortes.

Algumas tragédias simplesmente não saem da cabeça. Basta o céu escurecer, a chuva apertar e os trovões começarem para que o imaginário do suburbano acenda o sinal de alerta.

Em 1996, durante o trágico deslizamento de terra no Lobato, vi meu pai sair de casa para socorrer e suturar feridos, vítimas dos soterramentos na região do Azevedo Madeireira.

Meus avós, hoje já falecidos, viveram toda a vida naquela região. Minha mãe, por sua vez, passava noites aflita. Bastava uma chuva mais grossa para o medo tomar conta de casa. E não era exagero. Era a lembrança de quem conhecia de perto os riscos de morar em áreas vulneráveis.

Hoje, felizmente, temos uma realidade muito diferente daquela época. Contamos com sirenes de alerta, escolas preparadas para servir de abrigo, sistemas de monitoramento e encostas protegidas com mantas e obras realizadas pela Prefeitura e pelo Governo do Estado.

É um cenário infinitamente melhor do que aquele que vivenciamos há três décadas. Mas, para quem viu de perto o sofrimento de tantas famílias, ainda aperta o peito quando a chuva engrossa.

E os problemas continuam.

Na madrugada de ontem, por exemplo, a haste de um poste que sustenta a fiação de alta tensão despencou, provocando medo e apreensão entre os moradores. Mesmo diante do risco, foram necessárias 12 longas horas, desde a ligação para a Neoenergia Coelba, até o início dos reparos.

Doze horas de espera para quem temia pela própria segurança e pela integridade de sua família.

Avançamos muito na prevenção de desastres, é verdade. Mas ainda estamos longe de garantir respostas rápidas e eficientes em todas as situações de emergência, especialmente nas comunidades periféricas.

E é justamente por isso que seguimos cobrando, denunciando e buscando melhorias.

O Soterosuburbano nasceu também para isso: dar voz a quem muitas vezes não é ouvido, mostrar problemas que insistem em permanecer invisíveis e cobrar providências de quem tem a obrigação de agir.

Este canal também é seu. Use-o para denunciar, cobrar e ajudar a proteger nossa comunidade.

Porque quem conhece a história do Subúrbio sabe que, quando a chuva aperta, prevenção e rapidez no atendimento não são favores. São questões de segurança e de preservação da vida.

Soterosuburbano — O Subúrbio que dá certo.