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CABÔ O BABA | O perigo para o Bahia vai além dos treinadores rivais

Os técnicos que aparecem no caminho do Bahia podem complicar a disputa por uma vaga na Libertadores. Mas o maior adversário tricolor pode estar dentro de casa: a dificuldade de transformar investimento, estrutura e expectativa em um futebol consistente na hora decisiva.

Odair Hellmann, Cuca, Eduardo Domínguez, Marcão e Artur Jorge representam trabalhos diferentes, com desafios e trajetórias próprios. A comparação, porém, serve para uma cobrança: Rogério Ceni precisa fazer o Bahia responder em campo. O currículo dos adversários não pode virar uma justificativa antecipada para os tropeços.

O Bahia não pode chegar à reta final dependendo de um lampejo individual ou torcendo pelo resultado dos outros. Precisa apresentar organização, intensidade e capacidade de reação. Quando o plano inicial não funciona, cabe ao treinador encontrar alternativas. Insistir por convicção pode ser uma qualidade; insistir sem resposta pode custar uma classificação.

Ceni precisa ser cobrado pelas escolhas, pelas substituições e pela capacidade de corrigir os problemas que se repetem. Posse de bola precisa produzir perigo. Volume de jogo precisa se transformar em oportunidades claras. E uma equipe que pretende disputar a Libertadores precisa saber competir também quando não consegue impor seu estilo.

A cobrança alcança o elenco. Kanu e Willian José, citados entre os alvos das críticas, precisam responder com desempenho. Na defesa, concentração e segurança; no ataque, participação e eficiência. Mas seria confortável demais colocar toda a responsabilidade em dois jogadores. O meio-campo precisa proteger e criar, os atacantes precisam oferecer soluções e os reservas precisam justificar as oportunidades.

Comprometimento é obrigação. Qualidade precisa aparecer quando o jogo aperta. Camisa, salário e reputação não ganham dividida, não corrigem posicionamento e não colocam a bola na rede.

Também cabe à direção avaliar o que foi construído. Se o elenco apresenta limitações, quem o montou precisa responder por elas. Se há opções e o time não encontra soluções, a comissão técnica precisa explicar suas decisões. A responsabilidade deve acompanhar o poder de escolher.

Ficar fora da Libertadores representaria uma frustração importante para um projeto que alimenta ambições maiores. Mais do que discutir se esta será a pior campanha da era City, a pergunta é: o Bahia está entregando o futebol que sua estrutura e sua torcida permitem cobrar?

Rogério Ceni vai precisar fechar a gaveta das desculpas e abrir o repertório. Ajustar a equipe, rever escolhas e fazer o elenco reagir. Tirar um coelho da cartola pode até salvar uma partida, mas uma classificação exige trabalho que apareça dentro de campo.

Porque, se a resposta continuar ficando para a próxima rodada, a vaca pode ir para o brejo bonitinha — com posse de bola, discurso bem explicado e a torcida olhando a Libertadores de longe.