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SAÚDE EM RISCO: 87,3% DOS CONTEÚDOS VIRAIS ANALISADOS SOBRE SAÚDE ERAM FALSOS

Levantamento da Agência Lupa, em parceria com a Afya, revela a dimensão da desinformação na internet. Receitas milagrosas, tratamentos sem comprovação científica e orientações enganosas podem colocar a saúde da população em perigo.

Por Afonso Batista | Soterosuburbano

Você já recebeu pelo WhatsApp uma receita caseira prometendo curar alguma doença? Ou assistiu a um vídeo nas redes sociais em que alguém garante que determinado alimento, chá ou medicamento faz verdadeiros milagres?

Pois é! Antes de compartilhar ou seguir qualquer orientação, é bom ficar atento. A internet está cheia de informações sobre saúde, mas nem tudo que circula por lá é verdade.

Um levantamento divulgado pela Agência Lupa, em parceria com a Afya, revelou um dado preocupante: 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados entre 2017 e junho de 2026 apresentavam informações falsas ou enganosas.

O estudo, intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde, analisou 764 publicações de grande alcance. Desse total, 667 continham alegações falsas ou enganosas.

É importante destacar que o percentual se refere às publicações analisadas pelo levantamento, e não a todas as informações sobre saúde disponíveis na internet.

O perigo de acreditar em tudo que aparece na tela

O problema vai muito além de compartilhar uma notícia falsa. Quando o assunto é saúde, acreditar em informações sem comprovação científica pode trazer consequências graves.

Uma receita aparentemente inofensiva pode provocar reações adversas, interagir com medicamentos ou fazer com que uma pessoa abandone um tratamento necessário.

Outro risco é a promessa de cura rápida para doenças que exigem acompanhamento profissional. Muitas dessas mensagens utilizam depoimentos emocionantes, imagens de supostos especialistas e uma linguagem convincente para conquistar a confiança do público.

E não se engane: quantidade de curtidas, visualizações ou compartilhamentos não transforma uma informação em verdade.

Atenção, moradores do Subúrbio Ferroviário!

Em comunidades como as do Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde o WhatsApp e as redes sociais fazem parte da rotina de milhares de famílias, a circulação de informações sobre saúde exige atenção redobrada.

Aquela receita enviada por um familiar, a orientação compartilhada no grupo da vizinhança ou o vídeo de alguém que se apresenta como especialista precisam ser avaliados com cuidado.

Isso não significa que toda informação encontrada na internet seja falsa. Significa que nenhuma orientação de saúde deve ser aceita como verdadeira apenas porque viralizou.

Como identificar uma possível informação falsa?

Antes de acreditar ou compartilhar uma publicação sobre saúde, alguns cuidados são fundamentais:

  • Confira a fonte: procure saber quem produziu a informação e se há respaldo de instituições reconhecidas.
  • Desconfie de curas milagrosas: promessas de resultados garantidos e tratamentos que servem para qualquer pessoa são sinais de alerta.
  • Verifique a formação de quem orienta: seguidores e popularidade não substituem qualificação profissional.
  • Consulte fontes confiáveis: Ministério da Saúde, Fiocruz, Anvisa e sociedades científicas podem ajudar na verificação.
  • Não abandone tratamentos: nunca suspenda medicamentos ou substitua orientações profissionais por receitas encontradas nas redes sociais.

Informação também é uma questão de saúde pública

Combater a desinformação é uma responsabilidade coletiva. Uma publicação falsa pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos e influenciar decisões que comprometem a saúde individual e coletiva.

O Soterosuburbano reforça a importância de buscar informações confiáveis e procurar os profissionais das unidades de saúde sempre que houver dúvidas sobre medicamentos, sintomas, tratamentos ou prevenção de doenças.

Fica o recado: leu uma receita de saúde na internet? Antes de experimentar, procure orientação profissional. Na dúvida, não compartilhe!

Porque, quando o assunto é saúde, informação correta também salva vidas.

Soterosuburbano — O Subúrbio que dá certo.

Fonte dos dados: Agência Lupa e Afya — estudo Raio-X da Desinformação em Saúde, período de 2017 a junho de 2026.